segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

A TRAIÇÃO NA HISTÓRIA- Paulo Gondim

A TRAIÇÃO NA HISTÓRIA


Paulo Gondim


Nesses versos vou contar
Se não me falha a memória
A traição que já se deu
Com muita gente da história
Não há sofrer tão pior
Nem tem castigo maior
Que essa ação predatória

A traição na humanidade
É praga das mais cruéis
Atinge pobres e ricos
Pastores e seus fiéis
Não tem dízimo nem oferta
Quem não faz a coisa certa
Perde dedo e os anéis
Tá pra nascer um sujeito
Que se livrou de traição
A história tá repleta
Dessa infeliz maldição
Muita gente já sentiu
A dor de quem lhe traiu
É de cortar coração
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Vem dos tempos mais remotos
Desde a Torre de Babel
Quando tudo era bonito
Adão vivia no céu
Quando Eva surgiu nua
Foi traída pela lua
E começou o escarcéu
Botaram a culpa na cobra
Que os dois via de perto
Mas Eva se admirou
Ao ver Adão nu e esbelto
Esqueceu que era irmã
Adão comeu a maçã
E deu-se o primeiro incesto
Daí pra frente, a história
Continua sempre assim
Sempre se trai por inveja
Ciúme ou coisa ruim
Bem antes de Israel
O filho de Adão, ABEL
Foi trado por Caim
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Na Grécia antiga, também
A traição nunca faltava
Um rei sempre era deposto
Outro no trono ficava
Soldados iam pra guerra
E as "helenas" na terra
Os seus maridos "chifrava"
Ulisses que era Odisseu
Um guerreiro destemido
Há muito sem ver Penélopole
Achava que era traído
Mas fiel ela ficava
Ulisses desconfiava
Nunca se achou convencido
Mas se a mulher não traiu
Essa parece outra história
Ulisses voltou à guerra
Sem a mulher, sua joia
Fez um cavalo de pau
Deu de presente ao rival
E Ulisses traiu Troia
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Davi não ficou atrás
Nessa história de traição
Com a esposa do Itita
Guerreiro do batalhão
Queria a mulher alheia
Olha só que coisa feia
Fez esse rei fanfarrão!
Davi olhava a mulher
Que nas águas se banhava
Disse: "quero ter com ela"
E seu desejo aumentava
Mas ela tinha marido
E Davi não convencido
Uma traição já tramava
O Itita era valente
Nenhuma luta temeu
Mas Davi astucioso
Uma traição cometeu
E numa batalha ardente
O Itita foi na frente
E assim ele morreu
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Uma traição dolorida
Na história permanece
Essa a bíblia faz relato
E muita gente não esquece
Um amigo por dinheiro
Traiu o seu companheiro
Na hora de sua prece
Primeiro, Pedro negou
Disse não o conhecia
O galo cantou três vezes
E um discípulo dormia
Já sabem de seu destino
Eu lhes falo do Rabino
Que pregava a harmonia
Jesus Cristo, sim, senhor!
Que por Judas foi traído
Por umas poucas moedas
Aos romanos foi vendido
Morreu e ressuscitou
E a todos perdoou
Nu gesto de engrandecido
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Mas antes, faço justiça
No Julgamento Sagrado
Jesus Cristo ali foi morto
E Barrabás libertado
Na história é um vilão
Mas tinha a mesma missão
Que tinha o Crucificado
Jesus usava a palavra
Barrabás tinha ação
Os dois queriam seu povo
Livres da escravidão
Do tal Império Romano
Um regime desumano
Dos judeus, a maldição
Pois traíram Barrabás
Escreveram o fato errado
Considerado um bandido
Ele foi injustiçado
Essa história mal narrada
Bom que seja recontada
Pro erro ser reparado
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Foi assim na escravidão
O negro se lamentava
E apanhava no tronco
Na terra que se lavrava
Jorrando sangue e tristeza
Sustentava a realeza
Da elite que mandava
Todo ouro garimpado
E riqueza natural
Com impostos extorsivos
Empobrecia o local
Gerou revolta na gente
Que se sentiu descontente
Com o Rei de Portugal
E lá em Minas Gerais
Nesse povo tão carente
"Surgiu" muitos revoltosos
Chamados de inconfidentes
E unidos, mesmo assim
Silvério, que era Joaquim
Também traiu Tiradentes
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Os Jesuítas vieram
Ao povo evangelizar
Mas na verdade, queriam
Era índio escravizar
Pra vender pra fazendeiro
E ganhar muito dinheiro
Sem precisar trabalhar
Dom João Sexto foi traído
E saiu de sua terra
Por causa de uma dívida
Que tinha com a Inglaterra
Mas dizem que foi por medo
Bonaparte, desde cedo
Tinha declarado guerra
Dom Pedro Segundo viu
A traição bem do seu lado
Era um governante justo
Pelo povo respeitado
Mas não tardou para ver
O seu Império morrer
Por um golpe de estado
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Um paulista no Nordeste
De nome Euclides da Cunha
Engenheiro e jornalista
Da história é testemunha
Escreveu sobre "OS SERTÕRES"
Não se livrou das traições
Que a vida lhe impunha
Euclides, um militar
Pra Canudos foi mandado
Foi lá "cobrir" uma guerra
Desse povo revoltado
Viveu na poeira e pó
A mulher ficando só...
O escritor foi "chifrado"
Para limpar sua honra
Pela traição que sofreu
Euclides pediu duelo
Contra quem lhe ofendeu
O soldado disse "ACEITO"
Deu-lhe dos tiros no peito
Assim, Euclides morreu...
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E a traição vem de longe
E atinge muita gente
Não poupou os coronéis
Que gozavam de patente
Lampião, Rei do Cangaço
Perdeu a queda de braço
Traído por um tenente
Só morria um cangaceiro
Por azar ou maldição
Alguns morriam em tocaias
Outros morriam em ação
Mais a morte mais comum
Que não poupava nenhum
Era a morte por traição
Assim morreu Volta Seca
Cobra Verde e Gavião
Meia Lua e labareda
Ventania e Zé Trovão
Sabonete e Carne Frita
Morreu Maria Bonita
Nos Braços de Lampião
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E na política a traição
Rola solta noite e dia
Político que compra voto
Por pequena mixaria
Eleitor diz: voto num
E não vota em nenhum
E se trai por covardia
O candidato promete
Que vai fazer a mudança
Logo trai o eleitor
Que lhe botou confiança
Mas também por ser traído
O candidato sabido
Não vai aceitar cobrança
E a traição na política
Vem cumprindo suas pragas
Se um governo faz bem
Sem impor pesadas cargas
Vem logo um Carlos Lacerda
Um jornalista de merda
Que traiu Getúlio Vargas
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A guerrilha do Araguaia
Teve sua vida curta
Não foi feita com o povo
Que pouca cosia se escuta
Mas produziu gente boa
E na Terra da Garoa
Também fez sua disputa
Marighella era valente
Um baiano sem temor
Quase formou-se engenheiro
Preferiu ser escritor
Comunista e guerrilheiro
Foi traído por dinheiro
Por um, hoje, "Senador"
Marighella tinha um fusca
E o traidor dirigia
E completou a traição
Demonstrando covardia
E com Fleury conspirou
Um tiro se disparou
E Marighella morria
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No regime militar
Seu fim já dava sinal
Tancredo Neves eleito
Adoeceu, ficou mal
A posse nunca se deu
Tancredo Neves morreu
Mas de que mesmo, afinal?
Dizem também ser traído
Por uma "força temente"
Ai Sarney assumiu
E foi um mau presidente
Repetiu a ditadura
Assim foi sua postura
Nada melhorou pra gente
Veio Collor, um traidor
Caçador de marajá
Foi tirado do poder
Por muita gente enganar
A poupança confiscou
Outro desastre deixou
O tal governo Itamar
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A maior traição que o povo
Fez cair sobre a nação
Foi um golpe de estado
Mantendo a corrupção
Pois a presidente eleita
Punia sempre perfeita
Funcionário ladrão
A elite foi às ruas
Se sentindo ameaçada
Pois seus roubos e tramoia
"Foi" por Dilma escancarada
Entrou Romero Jucá
Pra tudo logo estancar
Se não iam na enxurrada
Jucá sugeriu acordo
Com judiciário e tudo
Pra por fim a Lava Jato
E o congresso ficar mudo
Bota o vice no poder
Senão todos iam perder
Esse era o conteúdo
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A conversa de Jucá
Que tinha sido gravada
Não demorou, se fez pública
Na imprensa foi vazada
E o acordo foi feito
E pelo congresso aceito
E a presidente afastada
E Michel Temer assumiu
E traiu toda a nação
Mudou a CLT
A saúde e a educação
O povo vai trabalhar
Mas não vai se aposentar
Tá de volta a escravidão
A gasolina subiu,
Subiu o gás de cozinha
Salário mínimo baixou
E mais alta se avizinha
Um país que tinha nome
Voltou ao mapa da fome
Culpa de quem? Advinha...
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De quem é a culpa? Eu digo
Ela é do eleitor
O mesmo que vende o voto
Em troca de algum favor
Vota em bandido e ladrão
É assim toda eleição
Um voto de traidor
Mas se o eleitor quisesse
Viver bem nesta nação
Deixava de se trair
Não fazer corrupção
Ter um projeto de vida
Sem a pátria ser traída
Por governante ladrão
E de traição em traição
Vai vivendo a humanidade
Homem trai, se tem mulher
Mulher trai, se tem vontade
Se alguém me'achou atrevido
Me perdoe se fui traído
Mas só falei a verdade!
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FIM

As mãos de fada da Costureira Maria Alves de Araújo ( menininha) - Fátima Teles

                    As mãos de fada da Costureira Maria Alves de Araújo ( menininha)




Maria Alves de Araújo nasceu em Brejo Santo no dia 31 de Maio de 1925. Era a primogênita do casal Manoel Alves de Moura e Josina Alves de Araújo.

Estudou o Primário em Brejo Santo e o Ginásio no Colégio de Freiras na Cidade de Milagres-Ce. Foi   colega de sala da senhora Heraclides Lucena Miranda  que era sua prima e quase irmã pelo bem querer e afinidade. Foram as duas estudar o Magistério no Internato, Convento que havia na Ciddae de Crato-Ce. Porém, a senhorita Maria não pôde terminar ,pois sua mãe apresentava problemas de saúde e ela sempre muito dedicada a família logo renunciou a sua futura carreira para cuidar dos seus. Logo depois o seu pai faleceu , então ela teve que trabalhar em casa através das costuras para ajudar a sua mãe sustentar a prole.

Tia Maria costurava divinamente . Era muito procurada tanto para costurar roupas da moda como vestidos de noiva e roupinhas infantis para batizados.

A família se constituiu assim:

Seus pais :
Manoel Alves de Moura ( Foi Juiz e Comerciante)
Josina Alves de Araújo

Seus irmãos:
Francisco Alves de Araújo
Irene Alves de Araújo
Zeneida Alves de Araújo
Djalma Alves de Araújo
Maria Zuila Alves de Araújo

Tia Maria viveu dignamente 92 anos . Faleceu em Agosto de 2017.Foi uma das costureiras renomadas de Brejo Santo-Ce.



 Ultimo encontro as irmãs com Tia Maria
Tia Irene à esquerda, Tia Maria ao centro, Tia Zuila à direita




No dia de sua morte lhe homenageei com essa poesia

Menininha

Na Terra ,conheceste
As obrigações e as dores
Não foste aos bailes
Mas todos os vestidos passaram por ti
Mãos de fada que eram as tuas

Viveste de renuncia
E por isso foste tão bela
Soubeste viver em resignação
E por isso foste tão linda

Agora voaste para os céus
Como um passarinho que suspira
E sussuras para Deus, em louvores
A matéria não te aprisiona mais
Teu espírito livre,agora voa
Baila e volita abraçando os teus

Vai menininha!
Descansa em paz!


                                                          última foto do Tia Maria



                                     Foto no Ginásio, na escola de Freiras em Milagres-Ce

                                                                 Sua Máquina de costura
                        Sua sobrinha Neuma Araújo com um vestido feito por Tia Maria
                            Sua sobrinha Fátima Araújo com um vestido feito por Tia Maria

                                           Foto no Ginásio, na escola de Freiras em Milagres-Ce

 Casamento do casal Dr Aurimar Tavares e Dra Rivânia Tavares. O vestido da noiva foi feito por Tia Maria.
Casamento do casal Dr Aurimar Tavares e Dra Rivânia Tavares. O vestido da noiva foi feito por Tia Maria.


                                                           Sua Máquina de costura
O casamento do casal Estênio Macêdo e Maria Tavares Macêdo. Os vestidos do casamento civil e o religioso foram feitos por Tia Maria.

                                          
                                         Vestido feito para a sobrinha Fátima Araújo

                       Casa onde morou a costureira Maria Araújo ( casa de janelas brancas)


                                            Vestido feito para a sobrinha Fátima Araújo
                                Vestido feito para o batizado da sobrinha Neuma Araújo
Vestido feito para a sobrinha Neuma Araújo à direita e para a prima Marília Araújo à esquerda


     Tia Maria ao centro com seus irmãos Djalma Araújo à esquerda e Zeneida Araújo à direita


Fonte :
Entrevista realizada com sua irmã, Maria Zuila Alves de Araújo .

12 de Janeiro- Aniversário de Belém do Pará- Fátima Teles


12 de Janeiro- Aniversário de Belém do Pará- Fátima Teles


Sexta-Feira com Poesia/ O teu caminho - Fátima Teles

dia 12 foi Sexta-feira com poesia!
A poesia foi O teu caminho!

domingo, 7 de janeiro de 2018

O Querido Mestre Alfaiate Adísio Gomes- Fátima Teles



O Querido Mestre Alfaiate Adísio Gomes


Por Fátima Teles, Professora Formadora da Área de Humanas da secretaria de Educação de Brejo Santo, Assistente Social, Escritora e Poeta.





O senhor Adísio Gomes de Santana nasceu em Brejo Santo em 20 de Junho de 1936. Filho do casal Antônio Gomes de Santana e da senhora Ambrosina Gomes da Silva. Está com 81 anos e 66 anos de trabalho ativo.

                No ano de 1951 ele iniciou o ofício de alfaiate trabalhando com o senhor João Domingos. Logo depois o senhor Cícero Pereira veio do Município de Mauriti morar em Brejo Santo e montou sua oficina. O senhor Adísio trabalhou na oficina do senhor Cícero pereira. Por volta de 1957 o senhor Cicero pereira vendeu a sua oficina para o senhor Valmir Alves. Em 1958 o senhor Adísio comprou a oficina do senhor Valmir Alves e tornou-se conhecido como Mestre Adísio.


Foto :  Adísio Gomes, Cícero pereira, Aloisio Silva, Valmir Alves, Geraldo Alves, Benone Anselmo

Qual homem nunca foi uma festa com uma calça ou camisa feita pelo mestre? Houve um tempo na nossa Cidade que não se comprava roupas em lojas e era o mestre quem fazia as roupas para festas e ternos para casamentos.

Em 1955 o Mestre foi aprender a tocar instrumento musical e tornou-se membro da Banda municipal do Mestre Olívio.

Um fato interessante é quando ele conta que na Posse do presidente Juscelino Kubistchek ( JK), aqui em Brejo Santo o Presidente do Partido do Presidente JK, o senhor Manoel Tiburtino Inácio, do PSD, organizou uma Missa em homenagem ao Presidente e a Banda municipal tocou para reverenciá-lo. O pai do Mestre Adísio era o fogueteiro da Cidade. Ele mesmo produzia os fogos e os vendia. Nesse dia da posse do presidente houve uma grande queima de fogos.

Na década de 60  o Mestre fundou juntamente com os senhores Chico de Sinésio e Amadeu o Time de Futebol Comercial Futebol Clube (1961).



Em 1965  o Mestre e mais alguns amigos formaram uma Banda Musical “ Acadêmicos do Ritmo”, onde tocavam no interior do Estado do Pernambuco e era muito comum eles embalarem as festas de formatura do Colégio Padre Viana do Professor José teles de Carvalho. Os integrantes da Banda :
Mestre Adísio- Baixo
Sebastião Gomes (Uá)- Sax
René Lucena – Crooner
Ribamar Alves (Bà)- Crooner e Cantor
Antônio do Clube – Bateria
Zezinho Cavalcante – Piston
Zé de Helena – Sax
Kbo Xico – Guitarra Base




O senhor Adísio casou-se no dia 18 de Março de 1962 e lembra a data com muito carinho. Sua esposa é a senhora Maria Cabral Gomes. O casal teve  cinco filhos :

                                           Mestre Adísio e sua esposa dona Maria

Francisco Adilson Gomes
Maria do Carmo Gomes
Manoel Edilson Gomes
Nazareno Gomes Cabral
Admária Gomes Cabral

                                                                    Os filhos



O Mestre Adísio é muito querido e um trabalhador honesto, humilde e de uma simplicidade linda de ver. É sempre muito atencioso, simpático e tranquilo.





                                          São João No Brejo Santo União Clube

Fonte :
Entrevista com o Mestre Adísio em sua residência

A foto que o Mestre está costurando foi retirada da rede facebook, página de seu filho Edilson Gomes.